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Palhaços Estrangeiros

Os deuses vão-se como forasteiros,
Como uma feira acaba a tradição.
Somos todos palhaços estrangeiros,
A nossa vida é palco e confusão.

Ah, dormir tudo! Pôr um sono à roda
Do esforço inútil e da sorte incerta!
Que a morte virtual da vida toda
Seja, sons, a janela que, entreaberta,
Só um crepúsculo do mundo deixe
Chegar à sonolência que se sente;
E a alma se desfaça como um feixe
Atado pelos dedos dum demente…

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Fernando Pessoa. Cancioneiro. In: Obra poética.
Org., intr. e notas de Maria

Aliete Galhoz. Rio de Janeiro: Aguilar, 1965,
p. 193.
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Artista: Lélia Parreira
Título do quadro: Palhaços estrangeiros.
Técnica: Acrílica sobre tela.
Dimensões: 60 cm x 50 cm.
2010.

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